19/08/2008 12:32
CHOCOLATE COM MIGAS
Mais uma vez se esvai o sonho dourado do futebol olímpico brasileiro.
Os 3 a 0 que levamos da Argentina foram categóricos, fruto do melhor futebol apresentado por los hermanos, do início ao fim da partida. Melhor na disposição tática em campo, no estado anímico e nos talentos individuais. na verdade, cá entre nós, foi um chocolate com migas, aquele misto quente portenho.
Desde o apito inicial, os argentinos revelaram que entraram em campo em busca da vitória, através de um jogo bem mais agressivo do que o brasileiro. Avançou sua marcação sobre o nosso campo, e ali plantou sua bandeira, trocando passes á espera de que a habilidade e a técnica de Riquelme, Messi, Aguero ou Di Maria resolvessem a questão.
E foi Aguero, em duas investidas, já no começo do segundo tempo, quem abriu as portas para a extraordinária vitória argentina. No primeiro, cruzamento de Di Maria, que Aguero empurrou para as redes de peito; no segundo, em jogada sensacional de Messi, que atravessou, na paralela, da esquerda para a direita, toda a nossa defesa, antes de a bola chegar ao artilheiro do dia, que, mesmo marcado por Breno e Alex Silva, disparou cruzado no canto de Renan.
A cereja no bolo veio com o gol de Riquelme na cobrança de pênalti cometido por Breno em Aguero.
Quanto ao time brasileiro, optou pela velha receita de se segurar aqui atrás, na esperança de que, num lance eventual de contragolpe ou bola parada, chegaria á vitória escrita nas estrelas. Algumas vezes isso dá certo. Mas, não na maioria.
Ora, pra que servem três volantes que sabem sair jogando se os três jamais ultrapassaram a linha da bola, atados por aquele medo atávico de evitar contragolpes do adversário?
Assim, qualquer que seja nosso atacante passará o tempo todo em amargo exílio lá na frente.
Acrescente-se a esse erro tático e espiritual o fato de que jogamos com dez, antes mesmo da expulsão de Lucas, quando la vaquita já se embrenhara no brejo, seguida pela de Thiago Neves, ambas justíssimas, diga-se. É que Ronaldinho Gaúcho simplesmente não entrou em campo, embora sua sombra lá permanecesse, de cabo a rabo.
Obviamente fora de forma, depois dos quatro meses de paralisação, na verdade, Ronaldinho quase não participou da maioria dos jogos disputados pelo Brasil na China. Escalado, porém, pelo presidente da CBF, decisão aceita passivamente por Dunga, na verdade, não tinha, como se previa, condições de jogar nessas Olimpíadas. Pelo menos, não no seu real nível.
De resto, é esperar que esse grupo de jovens jogadores, todos de boa cepa, não seja execrado pelo torcedor brasileiro. Antes deles, dezenas de craques que depois viraram história, fracassaram nessa busca infrutífera do ouro olímpico.
Mesmo porque a culpa menor é deles, pois nem tiveram tempo adequado para adquirir conjunto, tampouco orientação adequada do banco para superarem essas limitações.
Além do mais, perder para a Argentina não é nenhum absurdo. Ainda mais essa Argentina de Messi, Riquelme e cia.
enviada por Alberto Helena Jr.
18/08/2008 20:46
TEATRO CHINÊS
Não entendi até agora aquele teatro todo do chinês Liu Chen (é isso mesmo?). Quer dizer: acho que entendi. O rapaz, recordista mundial dos 100 metros com barreiras é um ídolo nacional. E quando se fala em ídolo nacional na China é coisa de mais de bilhão de admiradores. Um peso incomparável para os nossos, digamos, 180 milhões de habitantes.
Pois, bem. Tive a pachorra de acompanhar toda a transmissão da Sportv que precedeu a prova do pop-star chinês. Vi o bicho saltar alguns obstáculos na zona de preparação, e sair andando normalmente, com um semblante indecifrável, entre panca e ligeiro incômodo.
Ao se aproximar, com os demais competidores, da ante-sala da prova, de repente, jogou sua mochila no chão e desfechou três chutes na parede. Nada recomendável para quem eventualmente esteja contundido. Mas, poderia ser fruto da frustração de saber-se incapaz de cumprir seus altos desígnios, ou um teste definitivo para suas reais condições físicas, quem sabe?
O fato é que, bastou entrar na pista, e, de repente sua fisionomia se transfigurou. Era a mais acachapante expressão de dor. Emendou uma série de caretas, mancou, foi e voltou, até resolver trocar a camiseta de treino pela oficial. Colou todos os números no uniforme, nas pernas e tal e cousa e lousa e maripousa (maripousa, na China, o amigo, sabe, diz cousas e lousas sábias).
Postou-se para partir como quem estava sendo submetido a uma autêntica tortura chinesa. E, na saída em falso de alguém, pronto!, desabou definitivamente. Não dava mesmo. Retirou os posts, e abandonou a pista mancando. Quando atingiu o corredor fora das vistas dos espectadores, passou a andar normalmente. E sentou-se no fundo, junto à parede.
Meu amigo, estou ficando velho e cada mais cético diante da atitude humana. Posso estar cometendo um pecado sem perdão, mas, cá pra nós, o rapaz, que certamente tem algum problema físico, na verdade, sucumbiu ao peso da alma.
enviada por Alberto Helena Jr.
18/08/2008 20:12
CADÊ A VARA?
Um absurdo inominável o que os chineses fizeram com a nossa ninfa dos ares, Fabiana Murer. Deram sumiço, por desleixo ou má-fé, quem sabe?, à vara que a atleta brasileira deveria utilizar para tentar chegar a uma medalha de bronze ou de prata, já que o ouro seria mesmo da bela russa.
Fabiana ficou tão desorientada que chegou a se postar diante da atleta chinesa, impedindo a sequência da disputa, até que lhe devolvessem seu instrumento de trabalho. Em vão.
A partir daí, qualquer resultado obtido pela brasileira fica comprometido pelo desequilíbrio emocional que se apossou, justamente, de Fabiana. E a desclassificação passou a ser tão inevitável quanto seria a obtenção, no mínimo, de seu próprio recorde 4,80 -, que conferiu a prata a outra competidora.
Não sei o que diz o regulamento do torneio, mas sei que a prova deveria ser suspensa, até que Fabiana estivesse de posse da vara mágica, que, em vez de fazer as coisas sumirem, sumiu ela própria.
Que os chineses chamassem Charlie Chan e seus onze filhos para achar o prodigioso objeto. Se não dessem conta, convocassem Holmes, Hercule Poirot, Sam Spade, o agente OP, Dick Tracy, o nosso Bellini, Nero Wolfe, toda a gama de detetives imaginários e reais, antes de dar seguimento à competição.
O que não dá é simplesmente deixar nessa situação a moça que suou sangue durante quatro anos, para, na hora H, deixá-la sem pai nem mãe na pista.
enviada por Alberto Helena Jr.
18/08/2008 19:52
É OURO SÓ
Espetacular. Simplesmente, espetacular, o feito de nossas meninas olímpicas.
Diante delas estavam as alemães, campeãs do mundo, com a festejada Prinz, apoiadas pela Luftwaffe, no ar, um regimento panzer em terra e sob o olhar arguto do binóculo do Almirante Canaris nas barras do Mar da China.
E logo as sólidas Gertrudes saíram na frente. Em seguida, perdem o gol que cimentaria as esperanças das nossas caboclinhas em transe. Mas, quando já se escoava o primeiro tempo, bola para Formiga, que mete um petardo nas redes inimigas.
Aqui, aliás, é preciso fazer um parêntese: como tem jogado nossa Formiga neste campeonato. Incansável, vai e vem, passa e repassa, dribla e chuta, marca, encara as adversárias com a gana de um pit-bull. Não é uma formiginha, como costuma se dizer desse tipo de craque. É uma Formigona, formidável, forcejante, fora de série.
Fechado o parêntese, vamos ao que importa. E o que importa é a grandeza dessa vitória por 4 a 1, de virada, que me remeteu por um vago momento àquela mítica goleada, por igual placar, dos marmanjos sobre a Itália, na decisão da Copa de 70. E 70 lembra Pelé, claro. Pois Marta não foi o Pelé, que isso ninguém jamais será.
Mas diria que foi o nosso Maradona de saias de 86, com aquela prodigiosa perninha esquerda e o fluxo de um tsunami quando disparou duas vezes seguidas pela direita. Na primeira, chama duas alemãs e rola de bandeja para Cristiane bater ás redes vazias. No segundo, ela mesma vai comendo pelas beiradas, e, na saída da goleira, dá o toque fatal.
Cristiane. Cristiane foi o nosso Jairzinho, um furacão insinuando-se por entre pernas alvas e troncudas um furacão com a graça de uma brisa refrescante. Num átimo, percebeu que Marta estava adiantada, em posição de impedimento, e seguiu seu destino, desvencilhando-se de uma, duas, três, todo o exército prussiano, antes de meter a bichinha nas redes.
Aí, celebrou o quarto gol com um gingado de fazer corar Chiquinha Gonzaga, como se retirasse do fundo do baú de nossa tão vilipendiada cultura a erótica Dança do Parafuso com que a dupla Duque e Gabi, no início do século passado encantava e despudorava a Europa, ao som de Pixinguinha, numa ouverture para o desfile em campos franceses dos Reis do Futebol, o Paulistano de Fried e Cia.
Pode até vir a prata, não me importa, pois essas meninas já revestiram de ouro sua passagem pelos campos de futebol do mundo. É ouro só, como já disse Caymmi que a tudo assistia de um ponto qualquer com aquele sorriso e o revirar de olhos de macho-fêmea, no sincretismo de pomba-gira da própria espécie humana. É ouro só.
enviada por Alberto Helena Jr.
17/08/2008 19:27
ENTRE BOCEJOS, DEU GRÊMIO
Ao São Paulo não restava senão atacar, atacar e atacar, para vencer um jogo, obviamente, estratégico para seguir na luta pelo tri brasileiro.
Pois, o São Paulo nada mais fez do que se defender, defender e defender, diante de um Grêmio superior em todos os sentidos e quadrantes. Nem mesmo quando perdeu um atacante (Dagoberto, expulso) ousou quebrar sua linha de três zagueiros. Ao contrário do Grêmio, que, sem Léo, seguiu assim mesmo.
Como ao Grêmio, que havia logo feito seu gol, com Perea, impedido, não interessava muito ficar atiçando o adversário, o jogo praticamente se desenrolou naquele meio-campo enfadonho, sem grandes emoções nem criações.
Ótimo para o Grêmio, péssimo para o São Paulo.
Em meio à forte chuva, Tricolor gaúcho 'afogou' o Tricolor Paulista em Porto Alegre
enviada por Alberto Helena Jr.
17/08/2008 13:36
RAPOSA NA CAÇA
A Raposa sofreu em sua toca diante do Vitória, mas não vacilou: 2 a 1, gols de Charles, Guilherme e Ricardinho.
Na verdade, foi um jogo muito agradável de se ver, com várias alternâncias e uma só tônica: ambos buscaram o gol o tempo todo, através de um futebol jogado de pé em pé.
O Vitória foi um tantinho melhor no primeiro tempo, justamente quando o Cruzeiro fez seu gol. O Cruzeiro dominou, durante boa parte da fase final, quando marcou seu segundo gol, o que impeliu o Vitória ao ataque e foi um sufoco no fim.
Feitas as contas, o Cruzeiro segue sendo o primeiro na caça ao Grêmio, o que lhe de direito, diga-se.
enviada por Alberto Helena Jr.
17/08/2008 13:33
É CAMPEÃO (SÓ VIRTUAL, CLARO)
O Corinthians fechou o primeiro turno com a faixa virtual de campeão no peito, ao bater o América de Natal por 2 a 0, gols de Douglas e Anderson Bill contra.
Não foi um desempenho de campeão, mas deu para o gasto, mesmo porque o América é bem fraquinho, convenhamos, e o Timão forma um grupo de bons jogadores que, no entanto, tem oscilado ao longo das últimas partidas.
Mas, se o América não está à altura, por outro lado, a Série B, no geral, não é tão inferior, tecnicamente, à Série A, e isso valoriza muito essa conquista simbólica do Timão.
Entre outras coisas, porque é impossível um time, seja da A, seja da B, manter-se num nível tão alto como o alcançado pelo Corinthians nas primeiras rodadas do campeonato por tempo indefinido.
enviada por Alberto Helena Jr.
16/08/2008 14:38
A MAGIA DOS RECORDES
Foram os dois momentos mais emocionantes do dia olímpico: o choro do nosso caboclinho de Santa Bárbara DOeste, César Cielo Filho ao ouvir o hino nacional do topo do pódio, e o gingado do jamaicano Usain Bolt, depois de ter batido o recorde mundial dos 100 metros rasos, o maior feitiço da história do atletismo.
As duas cenas remeteram os heróis, das águas e das pistas, às sua mais fundas origens.
Ao dominar a água, fonte da vida, em alguns poucos segundos, o caipirinha paulista só queria reencontrar-se com a família, depois de um exílio forçado para atingir a excelência de seu ofício.
Ao romper a barreira do tempo, Bolt não apenas trocou um tempo melhor pela visagem, nas últimas passadas, como celebrou o feito nos passos de um reggae que soava em sua cabeça, um som só seu, com ecos da Mãe África filtrados pelo sol e pelo mar do Caribe.
São instantes mágicos, durante os quais o homem se funde com sua origem e revela seu destino: desafiar os elementos, até onde houver, se houver.
enviada por Alberto Helena Jr.
16/08/2008 14:21
E DEU BRASIL E ARGENTINA
É costume dizer-se que jogo eliminatório é assim mesmo: uma tremenda chatice pendurada numa só expectativa o gol da vitória, seja no tempo regulamentar, na prorrogação ou na decisão por pênaltis.
Sob tal prisma, o Brasil cumpriu a receita diante de Camarões. Ficou ali cozinhando o galo durante o tempo normal, num jogo marcado pela pancadaria, e, em duas estocadas, já na prorrogação, ganhou por 2 a 0, e segue em frente nas Olimpíadas: uma enfiada de pura clarividência de Diego para Sobis e um toque esperto por cima do beque de Thiago Neves para Marcelo matar e concluir.
Assim, estamos na semifinal diante da Argentina, que venceu a Holanda por 2 a 1 (1 a 1 no tempo regulamentar), num show de Messi, que correu o tempo todo, armou, lançou, fez belas assistências, desenhou jogadas geniais, e ainda por cima marcou um gol e deu o magistral passe para Di Maria fechar o placar.
E aqui a receita do galo na panela só foi seguida por, digamos, uns 30 minutos no segundo tempo. No primeiro, o jogo foi agitado, e no finalzinho, assim como na prorrogação, foi lancinante, com os dois times criando e perdendo chances de ouro.
Comparando os dois jogos, os argentinos ganham com folga dos brasileiros. Mas, quando os dois se defrontarem, estes dois jogos já serão um passado longínquo. E uma outra realidade estará em campo.
enviada por Alberto Helena Jr.
16/08/2008 14:18
O JOGO É ESSE
O jogo é esse: Grêmio e São Paulo, no Olímpico. Se o Grêmio vencer - o que é mais provável, porque o time está muito equilibrado, tática, técnica e emocionalmente, além de jogar em casa -, tirará de cena um dos seus mais perigosos perseguidores.
E, se ainda por cima Cruzeiro ou Vitória, Palmeiras e Flamengo tropeçarem nesta rodada, o Grêmio pode já ir reservando um espaço nobre na sua imensa galeria de troféus. Apesar de todo o longo caminho ainda aberto para o segundo turno.
Mas, se o São Paulo vencer, o que é perfeitamente possível, já que ambos se assemelham muito no estilo e no empenho, aí o quadro fica sujeito a mudanças. Pois, o São Paulo crescerá e o Grêmio deverá fazer um grande esforço para evitar que as sequelas de uma derrota em casa para um rival direto acabem se refletindo nas rodadas subsequentes.
Mas, tudo isso é mera especulação. Por enquanto.
enviada por Alberto Helena Jr.
15/08/2008 16:28
CABOCLINHAS EM FRENTE
Eram aquelas deusas nórdicas, de cabelos louros e traços exatos, contra nossas caboclinhas, quase todas de expressão sofrida. Pois, metemos 2 a 1 nelas. Uma bomba de fora da área de Daniela Alves, no primeiro tempo, e, no início do segundo, no vacilo da zagueira norueguesa, Marta, Marta, tocou por cima da goleira. Já no fim, tomamos o gol de pênalti, cometido pela goleira Bárbara.
Não, não foi o Brasil fêmea com que nos acostumamos a ver nos últimos tempos. Aliás, não tem sido nessas Olimpíadas, embora estejamos lá na frente.
As norueguesas tiveram o controle do jogo ao longo de três quartos da partida, e nossas menina chegaram à vitória na base da precisão em contragolpes.
Só assumimos logo depois do gol de Marta, por uns dez, doze minutos, quando Cristiane teve a chance de ampliar o marcador.
Mas, quem tem Formiga, Daniela, Marta e Cristiane estará sempre mais perto da vitória do que da derrota, ainda que nos caiba na próxima rodada a Alemanha cã-cã.
enviada por Alberto Helena Jr.
14/08/2008 20:36
PEDRA NO GALVÃO, ESPORTE NACIONAL
Na China, rola um monte de competições: cuspe à distância, tênis, vôlei, pega-quem-pode etc.
E por aqui segue, como sempre, uma outra disputa paralela interminável: joga pedra no Galvão. Por dá cá aquela palha, pau no Galvão, como se ele fosse o símbolo de todas as mazelas nacionais.
Não porque tenha uma ínfima parcela de responsabilidade por Galvão estar onde está, nem mesmo por conviver com ele às segundas-feiras, no Bem, Amigos, mas porque odeio essa perseguição tenaz, contínua, implacável, dos coleguinhas de imprensa, de tempos em tempos, mas porque acho que há coisas mais importantes para as pessoas tratarem do que apenas transformar Galvão Bueno no ícone de nossas infelicidades.
Se Galvão está há trinta anos à frente dos microfones da Globo, a mais potente emissora de TV do Brasil, é porque tem lá seus méritos, que diabo! Nesse mercado, não há contemplação: ou o cara atende aos anseios do cliente, ou está fora.
Claro: quanto maior a repercussão da fala do sujeito, maior o índice de rejeição. Isso é de lei. Mas, se Galvão segue reinando na Globo, certamente, é porque o nível de aprovação dos telespectadores é bem maior do que o de rejeição.
Ah, mas ele fala muita bobagem, Fala, e quem não fala? Mas, o amigo nunca viu Galvão defender no ar a pena de morte, ou um regime discricionário, que são teses muito mais letais do que louvar as cores nacionais e outras banalidades de hábito.
Nossa chamada intelighenzia é muito menos inteligente do que ela própria se imagina. No fundo, não passa de uma ação entre amigos. Bem, amigos.
PS: Para os eventuais discordantes, informo que recebo pelo Bem, Amigos uma quirera tal que jamais justificaria esta crônica, moral ou financeiramente.
enviada por Alberto Helena Jr.
14/08/2008 17:42
TAMANHO NÃO É DOCUMENTO
Espio a tabela de medalhas e o Brasil está em 38o lugar, ou qualquer coisa do gênero, ao lado da Armênia, um pequeno país cravado entre pedras e desertos no extremo Leste da Europa, vítima, ao longo da história, de massacres inomináveis, e cuja colônia de imigrantes em São Paulo é significativa.
Faz divisa com a Geórgia, que está em litígio com a Rússia apesar disso, em posição melhor do que a do Brasil nas Olimpíadas, assim como o Vietnã -, e tudo o que deseja é sobreviver dignamente, depois tantas invasões e genocídios.
A Armênia tem 3,8 milhões de habitantes, contra cento e tantos milhões de brasileiros. Para o amigo ter uma idéia, a população armena caberia, sei lá, na Zona Leste paulistana, se tanto.
Pois, tem tantas medalhas quanto as nossas nas Olimpíadas.
Claro, haveremos de conquistar outras mais. Superaremos, imagino, Armênia, Geórgia, que tem um terço da população paulistana, mas não muito, pelos prognósticos dos especialistas.
Mas, nem de longe, nos aproximaríamos das potências olímpicas. Aliás, pergunto: será que esse é nosso desejo mesmo?
Acho que não. A idéia de um Brasil-potência foi-nos implantada pela ditadura militar, e virou uma quimera de traços mais odiosos que amáveis.
O brasileiro nunca desejou ser dono do mundo, a não ser no futebol, onde foi e continua sendo, com os percalços naturais da empreitada.
Mas, também, não era para estar, numa competição como as Olimpíadas, em posição tão subalterna. E por que está? Porque esporte olímpico está definitivamente ligado à questão da educação.
Enquanto não tivermos uma rede de educação pública decente, não teremos força olímpica, por maior que sejam nossa geografia e nossa população.
enviada por Alberto Helena Jr.
14/08/2008 16:54
SUL-AMERICANA, E DAÍ?
Um dos segredos do êxito do futebol no mundo inteiro é que seus campeonatos seguem o preceito da novela, gênero envolvente desde os folhetins em jornais do século 19 até as recentes séries de televisão.
Cada jogo é um capítulo, fruto do anterior e ligado ao futuro, que se desenvolve em sequência até o final, como se obedecessem a uma espiral crescente.
Mas, o final, na verdade, é um reinício, num patamar superior de expectativa. E aqui tem a ver mais com aqueles filmes Parte 1, Parte 2, até o infinito da paciência humana.
Digo essas baboseiras pensando na Copa Sul-Americana, cuja primeira rodada acabamos de assistir.
Antigamente falo dos primeiros setenta anos do século passado -, a trama toda se resumia, no Brasil, aos campeonatos estaduais, ampliando-se para o Rio-São Paulo, depois Robertão, até chegar ao Campeonato Nacional dos anos 70. A partir daí se estabeleceu o conceito de progressão: de um campeonato, você subia para outro.
Com o estabelecimento da globalização, a partir dos anos 80, incrementado na virada do século, tudo está interligado, como uma rede de Internet.
Quem ganha o Brasileirão ascende à Libertadores que, por sua vez, lhe dá o direito de disputar o mundial, até que se descubra, no futuro, vida e futebol em algum planeta da Alfa Centauro, e, então, teremos o campeonato planetário. Além disso, minha imaginação não võa.
Pois, bem. O que é a Copa Sul-Americana, para onde nos leva? A lugar nenhum. É como uma novela sem final feliz, ou um filme sem sequência, se encerra em si mesma, num patamar bem inferior ao das grandes expectativas do torcedor (leia-se, telespectador).
Ah, sim, sempre é um título, uma grana significativa para nossos deficitários clubes, mas... Nada. Mais nada. E é aqui que os dirigentes devem tocar, se quiserem dar à Copa Sul-Americana algo mais do que pura diversão alternativa pela tv, uma dessas sitcoms que você vê e tempos em tempos, por falta de algo mais atraente.
enviada por Alberto Helena Jr.
14/08/2008 16:37
LEÕES À SOLTA
Cabe-nos agora Camarões. Empanados ou empinados, se levarmos em conta as declarações do seu treinador, de que partiria pra cima do Brasil, sem medo nem remorsos?
Nem um, nem outro. É que eles são mesmo assim. Os africanos, em geral, jogam seu jogo, seja contra quem for: muito arrojo, velocidade extrema, brutal, às vezes, com certa organização tática e muita volúpia pelo gol.
Resta-nos domar os leões, como os de Camarões preferem se transfigurar em noites de lua cheia, com uma dose extra de manha e muita determinação.
Traduzindo: é não vacilar na defesa, diante daqueles contragolpes vertiginosos, e fazer a bola circular, de que nosso meio-de-campo tem se revelado capaz até agora, quando enfrentamos pouco mais do que o vento. Desse jeito, chegamos lá.
Ah, sim, e apagar da memória aquela bucha passada, quando num jogo incrível, em que eles com nove contra onze, mesmo assim nos atiraram fora das Olimpíadas.
O raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Ou cai?
enviada por Alberto Helena Jr.
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