08/10/2008 20:08
CIAO, CHICÃO
Quem o visse no campo de jogo imaginava-o um algoz, um troglodita de coração empedernido e pernas implacáveis.
Nada disso: Chicão era um sujeito afável, terno mesmo, e um volante extraordinário. Batia pra valer, é verdade. Mas sabia jogar como poucos. Seu passe era tão impecável que todo o jogo do São Paulo de seu tempo começava em seus pés, e sua liderança incontestável.
Sua imagem ficou tisnada na história por dois episódios: a pisada sobre a perna quebrada por Neca em Marcelo, do Atlético Mineiro, e por ter sido escolhido por Coutinho em lugar do genial Falcão, na Copa de 78.
Na verdade, dois grandes equívocos, que valem um capítulo à parte.
O fato é que Chicão não quebrou a perna de Ângelo, e, jogando no lugar de Falcão, no confronto com a Argentina, em Rosário, na Copa de 78, plantou sua bandeira no meio-de-campo e fez uma partida impecável.
Em contrapartida, deixou um legado de coragem e técnica como raros na história do nosso futebol.
Lembro-me vivamente de sua primeira convocação para a Seleção.
Encontrei-o na véspera de sua apresentação, depois de um treino do São Paulo, no vestiário do Morumbi. Conversávamos, enquanto ele retirava a chuteira e a bandagem do pé direito. Eis que, ao cabo, surge um dedão que era uma couve-flor, inchadíssimo, negro, fruto de uma unha encravada somada e uma fratura recente.
Espio assustado, e Chicão faz um sinal de silêncio com o indicador.
No dia seguinte, em São Januário, em seu primeiro treino na Seleção, Chicão é o leão de sempre, como se o seu pé tivesse saído da forma no dia anterior.
Esse era o nosso Francisco Jesuíno Avanzi, o Chicão, que surgiu na Ponte, fez fama no São Paulo e ainda defendeu o Galo e o Santos, um grande jogador, um querido amigo.
PS: Já corrigi o que a pressa e memória volúvel golpearam: Ângelo e Francisco, claro!
enviada por Alberto Helena Jr.
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(O que é isso?)