09/10/2008 16:50
OS MEIAS E OS VOLANTES
Há um grande equívoco quando se confunde função com natureza, que se expressa muito claramente nessa questão que envolve as figuras do volante e do meia.
Por exemplo: na Seleção Brasileira, Elano está sendo tratado como meia, quando, na verdade, é volante. Segundo, terceiro, quarto, não importa, mas sempre volante, pois essa é a natureza de seu jogo.
Sim, cumprirá a função de meia, mas não é meia. Assim, como, outro exemplo, Jean e Hernandes, no São Paulo atual, cumprem as funções de meia mas não o são.
Gosto de relembrar o caso de Dino Sani, campeão do mundo e um dos jogadores de técnica e eficiência mais importantes de nossa história. E relembro não por ilação, mas por declaração dele mesmo a mim feita há muitos anos.
Dino começou sua carreira como meia, nos juvenís do Palmeiras. E meia seguiu anos a fio, sempre como grande esperança que não se realizava por absoluto, no Palmeiras, no extinto Comercial da Capital, no São Paulo... Até que um dia surgiu o húngaro Bella Guttman em sua vida, e logo em seguida, Zizinho, na vida do São Paulo.
Guttman, para encaixar Zizinho no time, sem perder a alta e refinada técnica de Dino, transportou-o para a função de volante. Dino, então, viu abrir-se diante de si um novo mundo. Sólido na marcação, dono de passe exato e chute preciso a meia e longa distâncias, com um pulmão e uma estabilidade incríveis, mas, com extrema dificuldade para o drible curto, a virada ao receber a bola de costas para o adversário, esses pequenos e essenciais atributos de um meia nato, Dino descobriu seu destino no futebol.
Foi para a Copa do Mundo em 58, como titular, jogou no Milan, no Boca Juniors, onde é reverenciado até hoje, e voltou para o Corinthians, onde marcou época. Sempre como volante, não como meia.
Futebol é feito de detalhes, dizem os sábios. E esse é um detalhe fundamental.
enviada por Alberto Helena Jr.
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