13/10/2008 16:16

NÃO PÁRA, NÃO PÁRA, NÃO PÁRA!

Claro que a Venezuela não serve de parâmetro para qualquer análise mais funda sobre a nossa Seleção.

Antes de mais nada, porque a Venezuela, ao contrário de seus pares tipo Paraguai, Bolívia, Chile e até Equador, times capazes de montar retrancas eficientes, não sabe ainda jogar defensivamente, apesar de toda a evolução de seu futebol nos últimos dez anos.

Isso, somado à recente façanha naquele amistoso que marcou a primeira vitória dos venezuelanos sobre o Brasil, fez com que eles jogassem o jogo, de igual para igual. Opção que virou obrigação quando tomaram aquele golaço de Kaká logo aos 5 minutos. No que bateu ficha com o Brasil, dançou.

É, aliás, o que acontece na maioria das vezes contra qualquer seleção do mundo. Quem vier de peito aberto, em geral, toma um sacode. Pois, nossa técnica, apesar de tudo, continua sendo de primeira linha. E não vai nisso nem um pingo de ufanismo, essas besteiras todas, não. É apenas uma constatação histórica.

Kaká carrega ainda no peito a faixa de melhor do mundo, que deve perder para Cristiano Ronaldo ou Messi no final do ano. Mas, não tenho dúvidas, estará em condições de recuperá-la já na temporada seguinte, porque é ainda muito jovem e seu futebol segue em pleno progresso.

Esse é apenas um exemplo do nosso poderio técnico, apesar de todos os vacilos da nossa Seleção nos últimos tempos. Entre outras coisas, porque estamos, taticamente, atrasados em relação aos principais centros futebolísticos da Europa, onde, a cada rodada, desfila a elite do mundo.

Mas, o que mais me incomodou nessa goleada sobre a Venezuela, com aqueles gols cintilantes de Kaká e Robinho, foi a falta de ambição do time. Meteu 3 a 0 no primeiro tempo, e ficou ali cozinhando o galo, na certeza de que já tinha cumprido sua missão. Que missão? Vencer a Venezuela por três ou quatro gols não é nenhuma missão, convenhamos.

A missão de uma Seleção Brasileira é atingir a excelência plena a cada jogo. Não importa se o adversário é a Venezuela, a Argentina, a Alemanha, a Itália, há que se dedicar o tempo todo na busca por essa excelência.

Se o jogo, por qualquer circunstância, torna-se mais fácil, aí, então, é que deve acelerar essa busca, não refluir aos limites avaros marcados pelo tal futebol de resultados – ganhou, tá bom.

Gostaria muito de ver ressoar na alma desse time o grito da Fiel: “Não pára, não pára, não pára”. Pois, esse é o grito que ecoa na alma do torcedor brasileiro, desde tempos imemoriais.

enviada por Alberto Helena Jr.






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PERFIL

Alberto Helena Jr.
Paulistano do Brás, nascido em 15/11/41, completa em 2008 meio século de jornalismo. Foi revisor e editor em vários jornais e revistas, como O Cruzeiro, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, entre tantos outros. Dirigiu o jornalismo da TV Gazeta e foi diretor-geral da Rádio Gazeta. Também atuou como crítico musical, diretor e produtor de programas musicais na era dos festivais e diretor e apresentador de programas como 'Show da Noite', na TV Record, e 'Nosso Jornal' e 'Na Linha do Gol', na Gazeta. Foi chefe de reportagem da TV Globo em São Paulo.

Além do blog no iG Esportes, assina as colunas 'Bola de Papel', no Diário de São Paulo, e 'Bom Dia, Bola', no jornal Bom Dia. Incansável, também participa dos programas 'Bem, Amigos' e 'Arena', na Sportv.

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