14/10/2008 19:22

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enviada por Alberto Helena Jr.



13/10/2008 16:16

NÃO PÁRA, NÃO PÁRA, NÃO PÁRA!

Claro que a Venezuela não serve de parâmetro para qualquer análise mais funda sobre a nossa Seleção.

Antes de mais nada, porque a Venezuela, ao contrário de seus pares tipo Paraguai, Bolívia, Chile e até Equador, times capazes de montar retrancas eficientes, não sabe ainda jogar defensivamente, apesar de toda a evolução de seu futebol nos últimos dez anos.

Isso, somado à recente façanha naquele amistoso que marcou a primeira vitória dos venezuelanos sobre o Brasil, fez com que eles jogassem o jogo, de igual para igual. Opção que virou obrigação quando tomaram aquele golaço de Kaká logo aos 5 minutos. No que bateu ficha com o Brasil, dançou.

É, aliás, o que acontece na maioria das vezes contra qualquer seleção do mundo. Quem vier de peito aberto, em geral, toma um sacode. Pois, nossa técnica, apesar de tudo, continua sendo de primeira linha. E não vai nisso nem um pingo de ufanismo, essas besteiras todas, não. É apenas uma constatação histórica.

Kaká carrega ainda no peito a faixa de melhor do mundo, que deve perder para Cristiano Ronaldo ou Messi no final do ano. Mas, não tenho dúvidas, estará em condições de recuperá-la já na temporada seguinte, porque é ainda muito jovem e seu futebol segue em pleno progresso.

Esse é apenas um exemplo do nosso poderio técnico, apesar de todos os vacilos da nossa Seleção nos últimos tempos. Entre outras coisas, porque estamos, taticamente, atrasados em relação aos principais centros futebolísticos da Europa, onde, a cada rodada, desfila a elite do mundo.

Mas, o que mais me incomodou nessa goleada sobre a Venezuela, com aqueles gols cintilantes de Kaká e Robinho, foi a falta de ambição do time. Meteu 3 a 0 no primeiro tempo, e ficou ali cozinhando o galo, na certeza de que já tinha cumprido sua missão. Que missão? Vencer a Venezuela por três ou quatro gols não é nenhuma missão, convenhamos.

A missão de uma Seleção Brasileira é atingir a excelência plena a cada jogo. Não importa se o adversário é a Venezuela, a Argentina, a Alemanha, a Itália, há que se dedicar o tempo todo na busca por essa excelência.

Se o jogo, por qualquer circunstância, torna-se mais fácil, aí, então, é que deve acelerar essa busca, não refluir aos limites avaros marcados pelo tal futebol de resultados – ganhou, tá bom.

Gostaria muito de ver ressoar na alma desse time o grito da Fiel: “Não pára, não pára, não pára”. Pois, esse é o grito que ecoa na alma do torcedor brasileiro, desde tempos imemoriais.

enviada por Alberto Helena Jr.



12/10/2008 19:43

LOGÍSTICA, ZERO

Antes e depois do jogo, tanto o médico quanto o técnico da Seleção reclamaram da estafante viagem a San Cristobal, incluindo no cardápio o mal-estar estomacal de alguns atletas.

Prova de que a logística da CBF foi um lixo, algo inaceitável nestes tempos de tanta informação.

Alguém aí pode me explicar por que não se marcou o encontro da Seleção, na segunda passada, já lá na Venezuela, a meio caminho da Europa e Teresópolis? O grupo teria se reunido lá na segunda, treinado a semana toda já no clima do jogo, e não sofreria nenhum desgaste até a hora de entrar em campo.

Por outro lado, há mais de quarenta anos, em todas as disputas de Eliminatórias, em todas as participações em Copa América, Copa do Mundo e tal e cousa e lousa e maripousa, a Seleção carrega seu cozinheiro e auxiliar, cuja tarefa precípua é evitar que nossos craques sejam envenenados, eventual ou propositalmente.

Não sei se esses funcionários foram ou não. Se foram, devem ser demitidos. Se não foram, o supervisor deve ser demitido em seu lugar. De quebra, acrescente-se o presidente da CBF, que nunca é demais.

enviada por Alberto Helena Jr.



12/10/2008 19:34

ÓTIMO, MAS PODIA SER MELHOR

O resultado reflete mais ou menos a medida da diferença técnica entre os dois times: Brasil 4, Venezuela 0. Mesmo porque os venezuelanos, jogando em casa e ainda sob o eco da vitória naquele amistoso recente, abdicou de uma retranca feroz e jogou um jogo franco, sem marcações especiais ou mais acirradas.

Pena que nossa Seleção não tivesse se aproveitado desse cenário para enfiar na Venezuela uma goleada histórica, o que não serviria apenas para constar nos alfarrábios da história, mas, sobretudo, para folgar-nos na tabela das Eliminatórias.

E poderia, se tivesse mais ambição. Pois, a vitória foi conquistada com extrema facilidade, a partir do gol de Kaká, logo aos 5 minutos, seguido daquele de Robinho, aos 9, e completado, aos 18, por Adriano. Tal sucessão de gols permitiria ao Brasil soltar-se mais em busca de um placar fantástico.

Mas, não. Ficamos, ali, burocraticamente, evitando qualquer surpresa, como de hábito, e só aos 23 do segundo tempo foi que Robinho, em belo passe de Kleber, completou o marcador.

As entradas de Alex, no lugar de Kaká, e a de Mancini no de Josué, pouco acrescentaram ao ritmo e volume do jogo brasileiro, embora Alex tenha dado sinais claros de que está a fim de ganhar um espaço nesse elenco.

Já Mancini entrou pela direita, o lado inverso do que vem ocupando há anos na Roma e agora e na inter de Milão.

E, com essas e outras, Júlio César teve sua chance de provar que é mesmo um goleiraço, em duas ou três intervenções de alto nível.
De qualquer forma, uma boa vitória, mas nada que provoque ainda o deslumbramento do torcedor brasileiro.

enviada por Alberto Helena Jr.



11/10/2008 22:33

TIMÃO EMPACANDO

E o Corinthians, depois da espetacular arrancada na Série B, quando começou a roçar o limite matemático da classificação, empacou. Passou a dar um passo de cada vez, para frustração da Fiel, que lotou o Pacaembu em mais este empate do time, desta vez, com o Santo André de Marcelinho Carioca.

Aliás, jogou bem o Santo André. Marcou firme, e saiu bem para o jogo, chegando até a obter uma vantagem significativa: 2 a 0, já no segundo tempo.

Mas, o Timão anda também encantado, e, sob o impulso da Fiel foi lá e descontou, com Dentinho.

É aquela história: Herrera é isso, Herrera é aquilo, mas que o gringo faz uma falta danada para esse time, ah, se faz.

enviada por Alberto Helena Jr.



11/10/2008 22:32

LOS MODERNITOS

Para espanto de alguns jovens saudosistas - aqueles que suspiram pelos letárgicos finais do século passado -, a Argentina recebeu no Monumental de Nuñez a aguerrida Celeste Olímpica com seu fardamento tático cortado no mais fino figurino da última moda: quatro zagueiros, dois volantes que sabem jogar (Mascherano e Cambiasso), um meia-armador (Riquelme) e três atacantes fluidos, velozes e técnicos (Messi, Aguero e Tevez).

Em treze minutos de jogo, definiu o placar, com Messi e Aguero, e poderia ter dobrado a aposta antes da primeira meia hora. Tomou um gol em vacilo geral da zaga – diga-se, o ponto nevrálgico dos argentinos há muito tempo -, e depois ficou ali cozinhando o galo até o final, período em que ainda criou mais umas duas boas oportunidades.

Quem arrisca petisca, sim, senhor.

enviada por Alberto Helena Jr.



11/10/2008 22:30

FLA-FLU INVERTIDO

Foi um Fla-Flu ao inverso: desta vez, o Fla desceu aquém da margem dos quatro da Libertadores, e o Flu subiu acima da linha mortal do descenso, graças ao artilheiro Washington, autor dos três gols na Arena da Baixada sobre o Atlético PR, que tomou sua vaga sombria.

Num Maracanã efervescente, porém, nem a maior multidão do campeonato conseguiu empurrar o Urubu diante do Galo. Foi uma biaba homérica: 3 a 0 para o Atlético Mineiro, que fez uma partida impecável, sob o comando de Sérginho, Renan Oliveira e Pedro Paulo, um azougue ali pela esquerda de seu ataque.

Mas, se jogou muito o Atlético, o Flamengo foi simplesmente deplorável. Nada, porém, está decidido nessa área.

enviada por Alberto Helena Jr.



11/10/2008 22:28

INGLESES E LUSOS

A Inglaterra passou um carão diante do Cazaquistão, em Wembley, durante todo o primeiro tempo, quando chegou a temer o pior.

Mas, no segundo, com a entrada do veloz e hábil Wright-Phillips pela esquerda, abriu o jogo, com dois pontas, um centroavante e Wayne Rooney chegando para tocar e finalizar, e acabou com a pálida esperança do adversário: 5 a 1.

É verdade que metade desses gols contou com inestimável participação dos jogadores do Cazaquistão.

Já Portugal, sem Deco e com um Cristiano Ronaldo apático, levou o maior sufoco da Suécia de Ibrahimovic. E só não perdeu porque os suecos erraram demais na finalização.






enviada por Alberto Helena Jr.



09/10/2008 22:44

MAIS PRÓXIMOS APENAS

Os resultados desta noite de quinta condensaram, apertaram, mas não mudaram as posições lá de cima da tabela.

O Cruzeiro, no Mineirão, encenou uma vitória fácil diante do Ipatinga, mas acabou tendo de sofrer para manter a vantagem de 1 a 0, obtida aos 29 minutos do primeiro tempo, com Ramires colhendo o segundo rebote do goleiro.

E, no Morumbi, o São Paulo penou para passar pelo Náutico e preservar sua vaga na Libertadores, com um olho comprido em direção ao título. Só conseguiu seu gol, aos 37 minutos do segundo tempo, com um disparo longo e certeiro de Hernanes.

Assim, embora nada mudasse abaixo da liderança, Cruzeiro, São Paulo e, dependendo do resultado de sábado, o Flamengo também estão mais próximos de uma disputa eletrizante

enviada por Alberto Helena Jr.



09/10/2008 16:50

OS MEIAS E OS VOLANTES

Há um grande equívoco quando se confunde função com natureza, que se expressa muito claramente nessa questão que envolve as figuras do volante e do meia.

Por exemplo: na Seleção Brasileira, Elano está sendo tratado como meia, quando, na verdade, é volante. Segundo, terceiro, quarto, não importa, mas sempre volante, pois essa é a natureza de seu jogo.

Sim, cumprirá a função de meia, mas não é meia. Assim, como, outro exemplo, Jean e Hernandes, no São Paulo atual, cumprem as funções de meia mas não o são.

Gosto de relembrar o caso de Dino Sani, campeão do mundo e um dos jogadores de técnica e eficiência mais importantes de nossa história. E relembro não por ilação, mas por declaração dele mesmo a mim feita há muitos anos.

Dino começou sua carreira como meia, nos juvenís do Palmeiras. E meia seguiu anos a fio, sempre como grande esperança que não se realizava por absoluto, no Palmeiras, no extinto Comercial da Capital, no São Paulo... Até que um dia surgiu o húngaro Bella Guttman em sua vida, e logo em seguida, Zizinho, na vida do São Paulo.

Guttman, para encaixar Zizinho no time, sem perder a alta e refinada técnica de Dino, transportou-o para a função de volante. Dino, então, viu abrir-se diante de si um novo mundo. Sólido na marcação, dono de passe exato e chute preciso a meia e longa distâncias, com um pulmão e uma estabilidade incríveis, mas, com extrema dificuldade para o drible curto, a virada ao receber a bola de costas para o adversário, esses pequenos e essenciais atributos de um meia nato, Dino descobriu seu destino no futebol.

Foi para a Copa do Mundo em 58, como titular, jogou no Milan, no Boca Juniors, onde é reverenciado até hoje, e voltou para o Corinthians, onde marcou época. Sempre como volante, não como meia.

Futebol é feito de detalhes, dizem os sábios. E esse é um detalhe fundamental.

enviada por Alberto Helena Jr.



09/10/2008 00:06

GRÊMIO, SEM SURPRESA

Foram dois jogos emocionantes, mas nenhuma surpresa nessa revirada no topo da tabela: o Palmeiras não conseguiu furar a retranca do Figueira, em Floripa, e o Grêmio, no Olímpico encantado, fez seu gol logo de início, com Richard Morales, criou mais duas ou três claras chances e concluiu com Soares pegando a sobra de falha do goleiro Douglas, e saltou novamente à frente.

Não pense o amigo, porém que o Santos foi presa fácil, não. Ao contrário: criou várias situações embaraçosas para o líder, e por pouco, no finalzinho, não deixava tudo igual na tabela.

Mas, o Grêmio, depois de um período de oscilação, parece ter se recuperado de vez.

E, se digo que não houve surpresa nesses dois resultados, porque já se sabia de antemão que a tarefa do Palmeiras seria mais árdua do que a do Tricolor gaúcho.
enviada por Alberto Helena Jr.



08/10/2008 20:14

OUTRO JEITO DE VER


Adriano foi chamado por último, no lugar de Luís Fabiano, e já assumiu a camisa 9 da Seleção, apesar da presença inicial de Jô e Pato. Não se trata de nenhum absurdo, mas quebra a regra de precedência que tem marcado o comportamento dos treinadores da Seleção nos últimos tempos.

Seleção principal que treinou nesta quarta-feira em Teresópolis, do meio-de-campo pra frente: Gilberto Silva, Josué, Elano e Kaká; Adriano e Robinho. Pode ser, quem sbae. Mas, esta coluna preferia Lucas, Anderson; Kaká e Alex; Robinho e Pato. Apenas, uma questão de preferência.

enviada por Alberto Helena Jr.



08/10/2008 20:13

NÃO DÁ NEM PRA EMPATAR


Cruzeiro e São Paulo têm tudo para manter intocável o atual cenário do Brasileirão. O São Paulo recebe o Náutico no Morumbi e o Cruzeiro, no Mineirão, pega o Ipatinga.

Tudo bem; futebol é imprevisível, mas, cá entre nós, não dá para imaginar esses dois candidatos ao título deixarem escapar uma vitória nesses dois jogos.


enviada por Alberto Helena Jr.



08/10/2008 20:10

ECONOMIZANDO TEMPO E ESPAÇO

Alguém aí pode me explicar por que o Brasil já não se reuniu em Caracas, em vez de trazer seus jogadores até aqui, para treinar na nevoenta Teresópolis e só então seguir para o extremo norte?

Não teria mais lógico, prático e eficiente reunir a tropa que vem da Europa já lá na Venezuela, na segunda, cortando caminho e economizando tempo para que pudéssemos efetuar treinamentos mais eficazes?

enviada por Alberto Helena Jr.



08/10/2008 20:08

CIAO, CHICÃO

Quem o visse no campo de jogo imaginava-o um algoz, um troglodita de coração empedernido e pernas implacáveis.



Nada disso: Chicão era um sujeito afável, terno mesmo, e um volante extraordinário. Batia pra valer, é verdade. Mas sabia jogar como poucos. Seu passe era tão impecável que todo o jogo do São Paulo de seu tempo começava em seus pés, e sua liderança incontestável.



Sua imagem ficou tisnada na história por dois episódios: a pisada sobre a perna quebrada por Neca em Marcelo, do Atlético Mineiro, e por ter sido escolhido por Coutinho em lugar do genial Falcão, na Copa de 78.



Na verdade, dois grandes equívocos, que valem um capítulo à parte.

O fato é que Chicão não quebrou a perna de Ângelo, e, jogando no lugar de Falcão, no confronto com a Argentina, em Rosário, na Copa de 78, plantou sua bandeira no meio-de-campo e fez uma partida impecável.



Em contrapartida, deixou um legado de coragem e técnica como raros na história do nosso futebol.



Lembro-me vivamente de sua primeira convocação para a Seleção.



Encontrei-o na véspera de sua apresentação, depois de um treino do São Paulo, no vestiário do Morumbi. Conversávamos, enquanto ele retirava a chuteira e a bandagem do pé direito. Eis que, ao cabo, surge um dedão que era uma couve-flor, inchadíssimo, negro, fruto de uma unha encravada somada e uma fratura recente.



Espio assustado, e Chicão faz um sinal de silêncio com o indicador.

No dia seguinte, em São Januário, em seu primeiro treino na Seleção, Chicão é o leão de sempre, como se o seu pé tivesse saído da forma no dia anterior.



Esse era o nosso Francisco Jesuíno Avanzi, o Chicão, que surgiu na Ponte, fez fama no São Paulo e ainda defendeu o Galo e o Santos, um grande jogador, um querido amigo.

PS: Já corrigi o que a pressa e memória volúvel golpearam: Ângelo e Francisco, claro!


enviada por Alberto Helena Jr.






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PERFIL

Alberto Helena Jr.
Paulistano do Brás, nascido em 15/11/41, completa em 2008 meio século de jornalismo. Foi revisor e editor em vários jornais e revistas, como O Cruzeiro, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, entre tantos outros. Dirigiu o jornalismo da TV Gazeta e foi diretor-geral da Rádio Gazeta. Também atuou como crítico musical, diretor e produtor de programas musicais na era dos festivais e diretor e apresentador de programas como 'Show da Noite', na TV Record, e 'Nosso Jornal' e 'Na Linha do Gol', na Gazeta. Foi chefe de reportagem da TV Globo em São Paulo.

Além do blog no iG Esportes, assina as colunas 'Bola de Papel', no Diário de São Paulo, e 'Bom Dia, Bola', no jornal Bom Dia. Incansável, também participa dos programas 'Bem, Amigos' e 'Arena', na Sportv.

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